Lula e Alcolumbre se reuniram e diálogo foi retomado, diz ministro

 

Ambos tiveram duas reuniões nas últimas semanas para encerrar atritos




O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está restabelecida.

Davi Alcolumbre se reuniu com o presidente Lula, José Guimarães e Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, nesta quarta-feira (12), no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência da República. O encontro durou cerca de duas horas.

A retomada das conversas ocorre depois de uma ruptura ocasionada com a não aprovação da indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) em abril. Messias é advogado-geral da União e foi escolhido por Lula para integrar a Corte. Ocorre que a indicação foi derrubada no Senado. Alcolumbre defendia outro nome e não trabalhou a favor da escolha de Lula.


De acordo com Guimarães, a conversa de hoje foi uma continuação do que foi tratado em um jantar entre Lula e o presidente do Senado na terça-feira (4). O encontro da semana passada foi intermediado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, do STF, e promovido na residência de Moraes.

Entre as pautas discutidas nesta quarta-feira (12), o ministro citou o PLP (Projeto de Lei Complementar) 114, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6x1 e o PL (Projeto de Lei) de minerais críticos, além de seis medidas provisórias que devem ter suas comissões instaladas ainda nesta quarta-feira (12), incluindo a taxa das blusinhas.

Segundo o ministro, o PLP 114 reúne alguns temas de interesse do governo em um mesmo texto, como combustíveis, piso da saúde, Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), Copa do Mundo Feminina, defesa e minerais críticos. "É um PLP muito forte porque atende a várias propostas que iam tramitar uma por uma".

Apesar do encontro entre Lula e Alcolumbre, a líder do governo do Senado, Teresa Leitão, afirmou que ainda não há data para a votação dos projetos de interesse do governo. Segundo a líder, a definição sobre votar o fim da escala 6x1 antes ou depois das eleições depende dos trâmites internos do Senado.

"Depende dos encaminhamentos e dos trâmites internos do Senado. Eu e o presidente Alcolumbre ficamos com essa responsabilidade de ouvir os senadores, os líderes de bancada, o governo e a oposição", afirmou a jornalistas.

Segundo Guimarães e Teresa, o assunto Jorge Messias não foi tocado durante o encontro. Guimarães ainda acrescentou que Alcolumbre tem "compromisso" com a chapa do PT no Amapá: "O Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque".

Na segunda-feira (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o partido na Paraíba decidiu apoiar a candidatura do presidente Lula à reeleição. Após apoio de Motta, Lula aguardava uma manifestação de apoio na eleição deste ano de Alcolumbre. 

Guimarães ainda afirmou que, durante o encontro desta quarta, o presidente Lula convidou Alcolumbre para participar do ato de lançamento da campanha do petista, que acontece neste domingo (16), em São Bernardo do Campo. O ministro disse, porém, que Alcolumbre não deve comparecer porque já tem outro compromisso.


Lula e Alcolumbre reatam diálogo: o que está em jogo na pauta do Congresso? 🏛️🤝

Após momentos de tensão na articulação política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, voltaram a se reunir no Palácio da Alvorada para alinhar a pauta legislativa e os rumos eleitorais.

O encontro de cerca de duas horas — que deu continuidade ao jantar promovido na semana anterior com intermediação de ministros do STF — sinaliza a pacificação da relação após ruídos anteriores.

O que entra na pauta de votação? Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, a conversa garantiu andamento a matérias estratégicas para o governo:

🔹 PLP 114: Texto simplificado que reúne pautas cruciais como combustíveis, piso da saúde, defesa e o Profert (indústria de fertilizantes).

🔹 PEC da Segurança Pública e debates sobre a escala 6x1.

🔹 Medidas Provisórias: Instalação de comissões para destravar MPs como a da "taxa das blusinhas".

🔹 Projetos para Minerais Críticos e apoio à Copa do Mundo Feminina.

Movimento Político e 2026 Além dos projetos, a reaproximação reforça o alinhamento político regional e a consolidação do apoio de lideranças do Centrão e da mesa diretora ao palanque governista.

Como você avalia o impacto desse alinhamento para o ritmo das reformas e votações no Congresso nos próximos meses?


O que há por trás da reaproximação de Lula e Davi Alcolumbre



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retomaram o diálogo nesta quarta-feira, 12, em uma reunião no Palácio da Alvorada, depois de semanas de afastamento provocadas pela crise em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A reaproximação, porém, está longe de representar o fim das desconfianças entre os dois lados, segundo avaliação do colunista Robson Bonin, em participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Segundo Bonin, a retomada do contato atende a diversos interesses. O governo precisa aprovar pautas consideradas prioritárias, enquanto o Congresso sofre pressão para destravar matérias importantes para setores da economia e evitar que medidas provisórias percam validade.

O que mudou depois da crise pela indicação ao STF?

Na prática, pouco mudou na origem do conflito. Alcolumbre afirmou, após o encontro, que os dois não trataram do passado e que o ‘diálogo foi restabelecido’. Para Bonin, a estratégia é justamente deixar a crise de lado e concentrar esforços nas questões que interessam aos dois Poderes.

“O que há é uma tentativa de ignorar o bode na sala e continuar discutindo questões.”


A reunião foi apresentada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, como uma oportunidade para reconstruir a interlocução entre Executivo e Legislativo. Segundo ele, o encontro serviu para discutir prioridades do governo e alinhar a agenda de votações do Congresso. Guimarães ocupa atualmente o cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.


Quais pautas pressionam pela reaproximação?

Entre os assuntos citados estão a PEC que trata do fim da escala 6×1, uma medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas” e a PEC da Segurança Pública. Para Bonin, o peso dessas matérias ajuda a explicar por que Executivo e Legislativo têm interesse em retomar uma relação funcional.

O movimento também ocorre sob pressão de setores importantes da economia, segundo o colunista. A avaliação é que temas considerados relevantes estão paralisados no Congresso justamente quando algumas medidas provisórias correm risco de perder validade.

A eleição de 2026 explica a paz entre Lula e Alcolumbre?

Para Bonin, o calendário eleitoral é um dos fatores centrais da reaproximação. A possibilidade de uma vitória de Lula altera a expectativa de poder em Brasília e pode influenciar os interesses políticos de Alcolumbre, que deverá precisar do apoio do governo para uma eventual nova disputa pelo comando do Senado.

“Tem uma eleição chegando e se o presidente Lula vencer? A expectativa de poder faz com que tudo mude.”

Na avaliação do colunista, Alcolumbre também precisa considerar o resultado da eleição para o Senado. Uma expansão da direita na Casa poderia dificultar sua situação política, especialmente por sua atuação na condução de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Por que a trégua ainda é marcada pela desconfiança?

Apesar da reaproximação pública, Bonin compara o momento a uma “paz anunciada” entre adversários que ainda mantêm desconfianças. Para ele, os interesses institucionais e eleitorais criaram uma necessidade de convivência, mas não resolveram as razões que levaram ao afastamento.

“É uma paz anunciada, mas entremeada por muita desconfiança de ambos os lados.”

Bonin também chamou atenção para outro fator de instabilidade: as investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo ele, a atuação da corporação foi um dos elementos que contribuíram para o distanciamento entre Lula e Alcolumbre e pode voltar a produzir efeitos sobre a relação entre os dois.


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